a marca começou como ruído. uma pilha de anotações sem ordem, feitas de madrugada, quando o pensamento ainda não escolheu forma. nada ali servia para nada — e era exatamente isso que servia.
nossa missão é atravessar a confusão e o caos para chegar a lugares inimagináveis. porque é do caos que surgem as estrelas. perder-se na bagunça da mente para alcançar a luz da consciência.
cada peça carrega essa travessia em duas mãos opostas. de um lado o traço manuscrito: gesto, erro, pressa, o que sai antes de pensar. do outro a régua: chanfro, ângulo, medida, o que só existe depois de decidir. a roupa é o ponto onde os dois se encontram sem que nenhum vença.
não fazemos coleção de estação. fazemos noites. cada noite recebe um número e um substantivo — noite 01, noite 02, noite 03 — e se fecha quando termina. o que sai de linha não volta.
produzimos em são paulo, em lotes curtos, com costureiras que trabalham há mais tempo do que a marca existe. gramatura alta, costura reta, forro onde importa. peça feita para durar mais que o devaneio que a inventou.
vestir mixórdia é assumir que a ordem é escolha, não estado natural. e que a luz, quando aparece, aparece depois.